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Em PORTINARI PÉ DE MULATO, por causa do mau-olhado
de uma vizinha invejosa, a boneca Denise e seu
Carneirinho ganham vida e caem de um quadro recém-pintado
pelo vovô Portinari. O Carneirinho foge pelo mundo,
em liberdade, e Denise precisa encontrá-lo antes
que suas tintas sequem. Na busca, a menina passa
por diversos quadros vivos de Portinari, envolvendo-se
em aventuras insólitas e poéticas, embaladas por
uma seleção de alegres chorinhos musicais. Para
ajudar Denise em sua procura, foi criado um personagem
exótico, o Guardião das Tintas, uma espécie de
paleta animada, que pinta as suas próprias expressões
e emoções diante do público.
"A peça é um conto de encantamento com brincadeiras,
poesia, humor e músicas cantadas ao vivo", explica
o autor e diretor Dario Uzam. "Com este espetáculo
fechamos a trilogia sobre artistas brasileiros
do período modernista e moderno, iniciada com
Tarsila do Amaral em A Cuca Fofa de Tarsila e
Villa-Lobos em O Trenzinho Villa-Lobos. Seguindo
a idéia de pesquisar e trabalhar artistas fundamentais
da nossa cultura, escolhemos Portinari por sua
visão particular e expressiva do homem em diversas
situações, retratando sua fé, religiosidade, a
vida e o trabalho eterno do povo brasileiro",
afirma Dario.
A montagem transcorre a partir da atuação direta
dos atores, que também cantam ao vivo músicas
populares e chorinhos, com novos arranjos, compostos
especialmente para o espetáculo. A manipulação
dos bonecos é composta por técnica mista, adaptação
da arte do bunraku, técnica de varas, fantoches
de luvas e alguns bonecos de fios. "Trabalhamos
com quatro atores-manipuladores, ao invés de cinco
ou seis, como nos espetáculos anteriores. Com
essa redução de elenco, conseguimos mais economia
e limpeza de movimentos, resultando em um espetáculo
ágil e muito divertido", finaliza o diretor.
Os bonecos e formas animadas (um total de 25)
de Surley Valério, que assina também adereços
cênicos, foram confeccionados com aspectos próximos
às pinturas e obras de Portinari. As esculturas
das cabeças foram moldadas pelo artista plástico
Altair de Pádua Siqueira. A cenografia, de Dario
Uzam e Hernandes Oliveira, mostra uma grande moldura
onde acontece a ação do espetáculo. A pintura
dos bonecos e o desenho da luz, feitos por Hernandes
Oliveira, foram elaborados para focar as diversas
cores de Portinari. Francisco Botosso e Mariana
Anacleto assinam a direção musical, baseada em
composições brasileiras dos anos 40 a 60, com
novos acordes e toques de chorinho, que remetem
o público a uma época saudosa e lúdica.
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